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Objecção ao Sedevacantismo: "Os papas do Vaticano II não ensinaram heresia manifesta."
por Ir. Miguel Dimond e Ir. Pedro Dimond
www.igrejacatolica.org » Ir para a página principal das objecções16ª Objecção: Os papas do Vaticano II não ensinaram heresia manifesta porque as suas declarações são ambíguas e necessitam ser comentadas/interpretadas.
Chris Ferrara, “Oposição à Campanha Sedevacantista, II Parte,” Catholic Family News, Outubro de 2005, pág. 8: “Agora, aquilo que é manifesto ― isto é, claro, evidente, óbvio, inconfundível e indubitável ― não requer explicação. Esta mesma qualidade de não requerer uma explicação é o que o faz algo ser manifesto. Portanto, antes que a Campanha possa sequer chegar à primeira base, deve mostrar-nos não somente declarações papais feitas abertamente, mas declarações cuja suposta heresia não necessite de explicação alguma para ser demonstrável. As palavras papais em si mesmas ― não as interpretações sedevacantistas de tais palavras ― devem deixar clara a heresia.
“Se um papa chegasse a declarar a toda a Igreja nalgum documento ou declaração pública que: ‘Não há Santíssima Trindade. Só há Deus, o Criador, tal e qual crêem os muçulmanos!’, então a sua heresia seria manifesta no sentido pleno e correcto da palavra.”1
Resposta: Chris Ferrara, como de costume, está completamente errado. Em primeiro lugar, há muitos exemplos de heresias manifestas dos antipapas pós-conciliares que não requerem explicação ou comentário, como já vimos. Em segundo lugar, a autoridade papal nos ensina que algumas heresias requerem sim uma explicação, um estudo profundo e análise para descobri-las e condená-las, como também o veremos.
Antipapa Francisco com o rabino Skorka (à esq.) e o Imã Omar Abboud (à dir.) em Israel
Antes de discorrermos sobre estes dois pontos, é necessário que o leitor analise o exemplo da heresia que Ferrara usa como exemplo. Ele deu o exemplo da heresia: “Não há Santíssima Trindade.” Segundo Chris Ferrara, este é um exemplo indiscutível de heresia manifesta. É certo que esta afirmação é herética, mas observe bem que, inclusive neste exemplo, não se trata exactamente de uma negação palavra-por-palavra de uma definição dogmática. Até onde sabemos, não há uma definição dogmática sobre a Santíssima Trindade que declare: “Há uma Santíssima Trindade.” Há definições, tais como as seguintes:
Papa Gregório X, Segundo Concílio de Lyon, 1274, ex cathedra: “Cremos que a Santa Trindade, Pai, e Filho, e Espírito Santo é um só Deus omnipotente…”2
Obviamente, os católicos reconhecem imediatamente que uma declaração que diga “Não há Santíssima Trindade” equivale a uma negação directa desta definição dogmática, mesmo que não a negue palavra por palavra, isto é, textualmente. Assim, ao dar o seu único exemplo de heresia ― o único exemplo que provavelmente inventou Ferrara por ter se sentido seguro de que os sedevacantistas não conseguiriam encontrar heresia equivalente sobre a Trindade que tivesse sido dita por Bento XVI ―, Ferrara prova o nosso ponto: as declarações que equivalem a uma negação directa dos dogmas, apesar de não serem negações exactamente palavra-por-palavra de uma definição dogmática, são exemplos de heresia manifesta.
Portanto, assim como os católicos reconhecem imediatamente que a declaração: “Não há Santíssima Trindade” é uma heresia manifesta, apesar de não existir nenhum dogma que declare exactamente o contraditório palavra-por-palavra, também reconhecem imediatamente que a declaração de Bento XVI de que o protestantismo não é uma heresia é, obviamente, uma negação directa dos dogmas católicos que condenaram as doutrinas protestantes como heréticas. Obrigado, Sr. Ferrara, por provar o nosso ponto mais uma vez.
Citaremos agora mais de dez declarações de Bento XVI (e uma só de João Paulo II) e não faremos comentário algum. Todo aquele que é sincero e honesto verá que essas equivalem a uma negação directa do dogma católico, sem necessidade de algum tipo de análise.
“Cardeal” Joseph Ratzinger, O Significado da Irmandade Cristã, pp. 87-88: “A dificuldade na maneira de dar uma resposta é profunda. Em última instância, se deve ao facto de que não existe uma categoria adequada no pensamento católico para o fenómeno actual do protestantismo (poderíamos dizer o mesmo da relação com as igrejas separadas do oriente). É evidente que a antiga categoria de ‘heresia’ já não tem valor algum… o protestantismo deu uma importante contribuição à realização da fé cristã, cumprindo uma função positiva no desenvolvimento da mensagem cristã… Portanto, a conclusão é inevitável: o protestantismo hoje difere do que se considera por heresia no sentido tradicional, um fenómeno do qual o verdadeiro lugar teológico não foi ainda determinado.”3
Não é necessário comentar.
Antipapa Francisco ajoelha-se para ser “abençoado” por “pastor” protestante
Joseph Ratzinger, Pontos Teológicos de Destaque do Vaticano II, pp. 61, 68: “… No entanto, a Igreja Católica não tem o direito de absorver as outras Igrejas. A Igreja ainda não preparou um lugar próprio para elas, mas essas têm o direito legítimo de… uma unidade básica ― de Igrejas que permanecem Igrejas, mas que se convertem numa só Igreja ― deve substituir a ideia de conversão, apesar de a conversão conservar a sua significância para aqueles que, por motivos de consciência, a busquem.”4
Não é necessário comentar.
“Cardeal” Ratzinger, Princípios de Teologia Católica, pp. 197-198: “Neste contexto, podemos agora pesar as possibilidades que se abrem ao ecumenismo cristão. A máxima exigência, na qual a busca da unidade destina-se ao fracasso, torna-se imediatamente clara. Por parte do Ocidente, a máxima exigência seria que o Oriente reconhecesse a primazia de Roma em todo o âmbito da definição de 1870 e, ao fazê-lo, se submetesse na prática a uma primazia, tal como a que foi aceite pelas igrejas uniatas. Por parte do Oriente, a máxima exigência seria que o Ocidente declarasse a doutrina da primazia de 1870 como errónea e, ao fazê-lo, se submetesse, na prática, a uma primazia como a que foi aceite com a eliminação do Filioque no Credo e inclusive dos dogmas marianos dos séculos XIX e XX. A respeito do protestantismo, a exigência máxima da Igreja Católica seria que os ministros eclesiásticos protestantes fossem considerados como totalmente inválidos e que os protestantes se convertessem ao catolicismo… nenhuma das máximas soluções oferecem qualquer esperança de unidade.”5
Não é necessário comentar.
“Cardeal” Joseph Ratzinger, Deus e o Mundo, 2000, pág. 209: “É claro que é possível ler o Antigo Testamento de maneira que esse não seja direccionado para Jesus; esse não aponta de forma suficientemente inequívoca para Cristo. E se os judeus não conseguem ver n'Ele o cumprimento das promessas, isso não é apenas má vontade da parte deles, mas uma posição genuína por causa da obscuridade dos textos e a tensão na relação entre estes textos e a figura de Jesus. Jesus lhes imprime um novo significado, e graças a Ele todas adquirem um contexto, uma direcção e um sentido. Existem razões perfeitamente aceitáveis para negar que o Antigo Testamento refere-se a Cristo e para dizer ‘não, não foi isso que ele disse’. E existem também boas razões para dizer que refere-se a Ele. É nisto que se baseia toda a disputa entre judeus e cristãos.”6
Não é necessário comentar.
Antipapa Francisco acende menorah
“Cardeal” Ratzinger, Princípios de Teologia Católica (1982), pág. 377: “… Há uma obsessão pelo sentido estrito das palavras que torna inválida a liturgia da Igreja e, por esse mesmo facto, se põe fora da Igreja. Aqui esquece-se que a validez da liturgia depende em primeiro lugar, não de palavras específicas, mas da comunidade da Igreja…”7
Não é necessário comentar.
“Cardeal” Ratzinger, Princípios de Teologia Católica (1982), pág. 202: “Isto significa que o católico não insiste na dissolução das confissões protestantes e na demolição de suas igrejas, mas que, pelo contrário, espera que eles sejam fortalecidos em suas confissões e na sua realidade eclesial.”8
Não é necessário comentar.
João Paulo II, Ut unum sint, #84, 25 de Maio de 1995:
“… [Falando das “Igrejas” não-católicas] Estes santos provêm de todas as Igrejas e Comunidades eclesiais, QUE LHES ABRIRAM A ENTRADA NA COMUNHÃO DA SALVAÇÃO.”9
Não é necessário comentar.
“Cardeal” Joseph Ratzinger, Princípios de Teologia Católica, 1982, pág. 381: “Se é desejado que se ofereça um diagnóstico do texto [do documento do Vaticano II, Gaudium et Spes] como um todo, poderíamos dizer que (em conjunção com os textos sobre a liberdade religiosa e as religiões do mundo) é uma revisão do Syllabus de Pio IX, uma espécie de contra-Syllabus… Como resultado, a unilateralidade da posição adoptada pela Igreja sob Pio IX e Pio X em resposta à situação criada pela nova etapa da história inaugurada pela Revolução Francesa foi, em grande medida, corrigida via facti, especialmente na Europa Central, mas todavia não existia uma declaração básica sobre a relação que deve existir entre a Igreja e o mundo que surgira depois de 1789.”10
Não é necessário comentar.
“Cardeal” Joseph Ratzinger, Colaboradores da Verdade, 1990, pág. 217: “A pergunta que realmente nos interessa, a questão que realmente nos oprime, é: por que é necessário que nós em particular pratiquemos especificamente a fé cristã na sua totalidade?; por que, quando há tantos outros caminhos que conduzem ao céu e à salvação, é-nos requerido que suportemos dia após dia todo o peso dos dogmas eclesiais e do ethos eclesial? E assim voltamos à pergunta: O que é exactamente a realidade cristã? Qual é o elemento específico do cristianismo que não somente justifica, mas que o faz obrigatoriamente necessário para nós mesmos? Quando nos perguntamos sobre o fundamento e o sentido da nossa existência cristã, é suscitada uma certa falsa aspiração pela vida aparentemente mais cómoda das outras pessoas que também irão para o céu. Nos parecemos demasiado com os trabalhadores da primeira hora da parábola dos trabalhadores da vinha (Mt. 20:1-16). Assim que descobriram que podiam ter ganho seus pagamentos diários de uma maneira muito mais fácil, custava-lhes a entender por que tiveram de trabalhar todo o dia. Mas que estranha atitude é a de considerar não recompensadores os deveres de nossa vida cristã somente porque o denário da salvação pode ser ganho sem eles! Parece que nós mesmos ― como os trabalhadores da primeira hora ― queremos ser pagos não somente com nossa própria salvação, mas em particular com a carência da salvação dos demais. Isto é em simultâneo muito humano e profundamente não-cristão.”11
Não é necessário comentar.
“Cardeal” Joseph Ratzinger, Colaboradores da Verdade, 1990, pág. 29: “Para me servir da convincente frase de Congar, seria muito insensato e perverso identificar a eficácia do Espírito Santo com o trabalho do aparato eclesial. Isto significa que inclusive na fé católica a unidade da Igreja está ainda em processo de formação; a qual só se alcançará totalmente no eschaton [o fim do mundo], assim como a graça não se aperfeiçoa até que os seus efeitos se tornem visíveis – embora a comunidade de Deus já tenha começado a tornar-se visível.”12
Não é necessário comentar.
“Cardeal” Joseph Ratzinger, Introdução ao Cristianismo, 2005, pág. 255: “Fica claro portanto que o ponto central da fé não consiste na ideia da devolução do corpo, à qual ela ficou reduzida, praticamente, no nosso pensamento; essa afirmação continua válida mesmo diante da objecção de que é essa a imagem utilizada correntemente na própria Bíblia.”13
Não é necessário comentar.
O povo Judeu e as suas Sagradas Escrituras na Bíblia cristã, secção II, A, com prefácio de Bento XVI: “A espera messiânica dos judeus não é vã… ler a Bíblia como o faz o judaísmo envolve necessariamente uma implícita aceitação de todos os seus pressupostos… os quais excluem a fé em Jesus como Messias e Filho de Deus. (...) pois os cristãos podem e devem admitir que a leitura judaica da Bíblia é possível…”14
Há muitíssimas outras, mas estas constituem mais de dez exemplos de heresias manifestas que equivalem a uma negação directa do dogma católico sem necessidade alguma de comentário.
CHRIS FERRARA vs PAPA PIO VI NA QUESTÃO DA AMBIGUIDADE NA HERESIA = VITÓRIA ESMAGADORA DO PAPA PIO VI
Para além do facto de haver heresias manifestas dos antipapas do Vaticano II que não requerem comentário, como acabamos de ver, o que destrói totalmente o argumento de Ferrara é o facto de que o Papa Pio VI ensina exactamente o oposto sobre a heresia e a ambiguidade. O Papa Pio VI declara que os hereges, tal como Nestório, sempre ocultaram as suas heresias e erros doutrinais na contradição e ambiguidade!
Papa Pio VI, condenação do Sínodo de Pistóia, da bula Auctorem fidei, 28 de Agosto de 1794: “[Os doutores antigos] conheciam a capacidade dos inovadores na arte do engano, os quais, temendo escandalizar os ouvidos católicos, tratavam de ocultar as subtilezas dos seus sinuosos estratagemas com fraudulentos artifícios de palavras para que pudessem com a maior suavidade introduzir nas almas o erro oculto, e assim conseguissem que, corrompida a verdade por uma ligeiríssima adição ou mudança na fraseologia, fosse distorcida a confissão da fé que é necessária para a nossa salvação, e que fossem encaminhados os fiéis através de erros subtis à condenação eterna. E, em verdade, este modo de dissimular e mentir é vicioso, quaisquer que sejam as circunstâncias nas quais é utilizado e, por muito boas razões, nunca deverá ser tolerado num Sínodo, cuja especial glória consiste, acima de tudo, em ensinar a verdade com clareza, excluindo todo o perigo de erro.
”E portanto, se tudo isto é pecaminoso, não pode ser desculpado sob aquele enganoso pretexto de que aquilo que talvez por descuido foi dito de escandaloso numa parte, tenha sido em certas partes mais claramente explicado juntamente com afirmações ortodoxas, ou em outras partes tenha sido até mesmo corrigido; como se lhes fosse concedida a licença de poder afirmar, negar e contradizerem-se segundo a sua vontade, ou de confiar às inclinações pessoais do indivíduo – este foi sempre o fraudulento e astuto método dos inovadores para incutir o erro. Tal método permite tanto a promoção do erro quanto a justificação desse.
”É como se os inovadores quisessem dar a falsa impressão de que a sua intenção não fosse outra que a de apresentar as passagens alternativas, especialmente àqueles de uma fé simples que chegam eventualmente ao conhecimento de apenas uma parte das conclusões de tais discussões que são publicadas em língua comum para o uso de todos. Ou - mais uma vez - como se esses mesmos fiéis fossem habilitados para o exame de tais documentos e para fazerem juízos por eles mesmos sobre assuntos dessa natureza sem caírem em confusão e livres de qualquer risco de erro. Este é um artifício absolutamente repreensível utilizado para introduzir o erro, que, com sábia penetração, já antes fora descoberto, exposto e condenado com grande severidade pelo nosso predecessor São Celestino nas cartas de Nestório, Bispo de Constantinopla. Uma vez cuidadosamente examinados estes textos, o impostor foi exposto e desmentido, pois ele se exprimira numa excessiva abundância de palavras, misturando coisas verdadeiras com obscuras, de tal forma que conseguia confessar aquelas coisas que negara enquanto que ao mesmo tempo tinha base para negar as mesmas sentenças que afirmara.
“De modo a expor estas astúcias – algo que torna-se necessário com certa frequência em todo século – não existe a necessidade de outro método além deste: SEMPRE QUE FOR NECESSÁRIO EXPOR AFIRMAÇÕES SUSPEITAS DE CONTEREM ALGUM ERRO OU PERIGO OCULTADOS SOB O VÉU DA AMBIGUIDADE, É DEVER DENUNCIAR O SENTIDO PERVERSO SOB O QUAL O ERRO OPOSTO À VERDADE CATÓLICA ESTÁ CAMUFLADO.”
O Papa Pio VI nos ensina que se alguém oculta uma heresia na ambiguidade das palavras, tal como os hereges o fizeram pelos séculos, um católico deve confrontá-lo com o significado herético de tais afirmações e denunciar esse significado herético que está camuflado na ambiguidade! Basta isto para destruir toda a série de artigos e objecções de Chris Ferrara contra o sedevacantismo. (E por favor note uma distinção importante: não estamos afirmando que sejam heréticos os documentos ou declarações que sejam meramente ambíguos e não ensinem nada de contraditório à doutrina da fé católica; não, o que afirmamos com o Papa Pio VI é que os documentos que contenham claramente declarações ou afirmações heréticas que contradigam o dogma católico — aquilo que “foi dito de escandaloso,” segundo Pio VI —, e que contenham também contradição interna e ambiguidade nestas mesmas declarações ou afirmações heréticas, não se tornam por isso menos heréticos devido à ambiguidade e contradição que acompanha a heresia. Um exemplo seria o de um suposto “católico” que apoiasse constantemente o aborto, e no entanto afirmasse que aceita o ensinamento da Igreja sobre o aborto. Essa pessoa é uma herege manifesta, apesar da contradição e ambiguidade implicadas na sua posição. Outro exemplo seria o caso de um homem que declarasse que não devemos converter os protestantes (heresia manifesta), e que declarasse não obstante que só a Igreja Católica é a plenitude da fé cristã a qual todos devemos adoptar. Ele seria um herege manifesto, independentemente desta última declaração parecer a alguns contradizer a primeira. Os hereges são desonestos e mentirosos, pelo que frequentemente tentam contradizer ou mitigar o agravo de suas heresias com tácticas subtis de contradição juntamente com a ambiguidade; este é o ponto do Papa Pio VI).
Observem como Chris Ferrara contradiz directamente o ensinamento do Papa Pio VI.
Chris Ferrara, “Oposição à Campanha Sedevacantista, Parte II,” Catholic Family News, Outubro de 2005, pág. 25: “Portanto, trata-se de um documento [Dignitatis humanae do Vaticano II] que contém aparentes contradições internas, que parecem ser resultado das tentativas do Concílio em agradar em simultâneo as facções conservadora e liberal entre os Padres Conciliares. Um documento que, por um lado, se contradiz a si próprio por parecer ao mesmo tempo que defende e que nega o ensinamento tradicional dificilmente pode dizer-se que constitui uma contradição manifesta à doutrina tradicional… Visto que o que se discute são ambiguidades, contradições internas, e novidades…”
Papa Pio VI: “E portanto, se tudo isto é pecaminoso, não pode ser desculpado sob aquele enganoso pretexto de que aquilo que talvez por descuido foi dito de escandaloso numa parte, tenha sido em certas partes mais claramente explicado juntamente com afirmações ortodoxas, ou em outras partes tenha sido até mesmo corrigido; como se lhes fosse concedida a licença de poder afirmar, negar e contradizerem-se segundo a sua vontade, ou de confiar às inclinações pessoais do indivíduo – este foi sempre o fraudulento e astuto método dos inovadores para incutir o erro. Tal método permite tanto a promoção do erro quanto a justificação desse.
“Este é um artifício absolutamente repreensível utilizado para introduzir o erro, que, com sábia penetração, já antes fora descoberto, exposto e condenado com grande severidade pelo nosso predecessor São Celestino nas cartas de Nestório, Bispo de Constantinopla.”
Obviamente, quem está correcto é o Papa Pio VI e quem está completamente errado é Chris Ferrara. Note que o Papa Pio VI também disse que alguns destes erros doutrinais (que, neste caso, também são heresias, já que ele se refere às heresias do arqui-herege Nestório) somente foram descobertos depois de um atento exame e estudo!
Pio VI: “Este é um artifício absolutamente repreensível utilizado para introduzir o erro, que, com sábia penetração, já antes fora descoberto, exposto e condenado com grande severidade pelo nosso predecessor São Celestino nas cartas de Nestório, Bispo de Constantinopla. Uma vez cuidadosamente examinados estes textos, o impostor foi exposto e desmentido, pois ele se exprimira numa excessiva abundância de palavras, misturando coisas verdadeiras com obscuras, de tal forma que conseguia confessar aquelas coisas que negara enquanto que ao mesmo tempo tinha base para negar as mesmas sentenças que afirmara.”
Mas não eram desnecessários a análise e o estudo em caso de manifestas contradições à doutrina católica? Isso é o que disse Chris Ferrara.
Chris Ferrara, The Remnant, 30 de Setembro de 2005, pág. 18: “… onde estão as declarações objetivamente heréticas? Se elas existem, deveria ser algo tão simples quanto citar as proposições heréticas… As ‘heresias’ deveriam falar por si mesmas sem necessitarem de qualquer ‘comentário’ de apoio feito pelos denunciantes sedevacantistas.”15
Chris Ferrara está absolutamente errado. Os hereges enganam com as suas contradições e ambiguidades, porque a heresia em si é uma mentira e uma contradição.
Papa Pio XI, Rite expiatis, #6, 30 de Abril de 1926: “… as heresias pouco a pouco nasceram e cresceram na vinha do Senhor, propagadas tanto por hereges manifestos ou por enganadores astutos que, em virtude de professarem uma vida de uma certa austeridade e darem uma falsa aparência de virtude e piedade, facilmente conduziram pelo mal caminho as almas frágeis e simples.”16
Note que as heresias nascem tanto de hereges manifestos quanto também de enganadores astutos, como Bento XVI, que mesclam em declarações e acções conservadoras as suas incríveis e inegáveis heresias. Para ilustrar este ponto novamente constatemos o facto de que o arqui-herege Ário chegou a ser aprovado por Constantino ao dar-lhe uma ambígua profissão de fé. Contudo, Santo Atanásio não se deixou enganar e recusou-se a considerá-lo católico.
“Ário apresentou-se juntamente com Euzoio, seu aliado em doutrina e exílio. Ele presta ao imperador [Constantino] uma profissão de fé precavida, a qual poderia ser interpretada tanto no sentido ariano quanto no sentido ortodoxo, mas que não continha a palavra ‘consubstancial.’ Constantino contentou-se, anulando a sentença de exílio, e ordenou que Ário fosse readmitido em seu posto dentro do clero. Contudo, o superior eclesiástico de Ário, Atanásio, recusou-se a aceitá-lo.”17
Segundo Chris Ferrara, os católicos deveriam ter aceite como católico o negador de Cristo, Ário, como o fez Constantino, uma vez que a sua profissão foi ambígua. Chris Ferrara é a perfeita marioneta de Satanás; tudo o que o diabo precisa que o herege faça depois de ensinar a sua heresia é juntar-lhe um pouco de ambiguidade, e chegar-lhe uma pitada de contradição, e assim dirá ao mundo para que siga o herege e permaneça sob a sua égide. E assim é exactamente como o diabo tem sido tão bem sucedido em manter as pessoas dentro da apóstata e manifestamente herética seita do Vaticano II. As pessoas vêem algumas declarações ou acções conservadoras vindas da parte dos hereges, e convencem-se de que não podem ser hereges mal-intencionados, mesmo que estejam a negar e a destruir a fé arredor, como o temos demonstrado. Este é o caminho da vitória para o diabo.
Para ilustrar o “absurdo patente” da “teologia” de Chris Ferrara, um indivíduo bem poderia escrever um documento que negasse repetidas vezes que a Virgem Maria é imaculada, mas que tivesse no final uma declaração a dizer ele defende o ensinamento da Igreja sobre a Imaculada Conceição, e deste modo o documento não poderia ser considerado manifestamente herético uma vez que conteria “auto-contradição.” Existe algo mais estúpido? Ferrara aplica esta falsa teologia, que é directamente contrária ao ensinamento do Papa Pio VI (como vimos mais acima), na sua análise da Declaração do Vaticano II sobre a Liberdade Religiosa.
Chris Ferrara, Catholic Family News, “Oposição à Campanha Sedevacantista, Parte II,” Outubro de 2005, pág. 25: “A afirmação da campanha [sedevacantista] de que há heresia manifesta em DH [Dignitatis humanae, a Declaração do Vaticano II sobre a Liberdade Religiosa] é ainda mais débil quando se considera que no artigo 1 de DH se declara que o Concílio ‘em nada afecta a doutrina católica tradicional acerca do dever moral que os homens e as sociedades têm para com a verdadeira religião e a única Igreja de Cristo.’”18
A declaração do Vaticano II sobre a liberdade religiosa contém heresia manifesta contra o dogma da Igreja que estabeleceu que o Estado tem o direito de reprimir a expressão pública de falsas religiões. O facto de a Declaração do Vaticano II sobre a Liberdade Religiosa dizer que “em nada afecta a doutrina católica tradicional” não significa absolutamente nada. Os “Velhos Católicos” disseram exactamente o mesmo, assim como outros hereges ao longo da história.
Papa Pio IX, Graves ac diuturnae, #2, 23 de Março de 1875: “Eles [os ‘Velhos Católicos’] declaram repetidas vezes e abertamente que não rejeitam o quer que seja da Igreja Católica e da sua cabeça visível, mas que são zelosos pela pureza da doutrina católica… Contudo, eles na verdade negam-se a reconhecer todas as prerrogativas divinas do vigário de Cristo sobre a terra e não se submetem ao seu supremo Magistério.”19
Então, segundo Ferrara, é uma conclusão inválida afirmar que os “Velhos Católicos” são hereges, visto que afirmam várias vezes que são zelosos pela pureza da doutrina católica, e declaram abertamente que não rejeitam a doutrina católica. Mas não, a Igreja Católica ensina que eles são hereges manifestos e todos os que aderem aos seus ensinamentos e à sua seita serão considerados hereges.
Papa Pio IX, Graves ac diuturnae, #'s 1-4, 23 de Março de 1875: “… os novos hereges que se dizem ‘Velhos Católicos’… esses cismáticos e hereges… a sua seita malvada… esses filhos das trevas… a sua facção malvada… esta seita deplorável… Esta seita derruba os fundamentos da religião católica, rejeita sem pudor as definições dogmáticas do ecuménico Concílio Vaticano, e dedica-se de várias maneiras à ruína das almas. Decretamos e declaramos em Nossa carta de 21 de Novembro de 1873, que aqueles homens desgraçados que pertencem, aderem, e apoiam essa seita devem ser considerados cismáticos e separados da comunhão da Igreja.”20
Papa Pio IX, Quartus supra, #6, 6 de Janeiro de 1873: “Sempre foi o costume dos hereges e dos cismáticos chamarem-se católicos e proclamarem as suas diversas excelências com o fim de conduzir os povos e os príncipes ao erro.”21
Podemos ver que a “teologia” de Chris Ferrara é contrária não somente ao ensinamento dos papas, mas também ao senso comum. De facto, a idiotice satânica da posição de Ferrara (e de muitos outros) ― isto é, que os apóstatas e antipapas do Vaticano II não são hereges manifestos porque às vezes contradizem-se e empregam a ambiguidade juntamente com as suas incríveis heresias ― pode ser talvez melhor ilustrada ao olharmos para o caso do apóstata John Kerry [um político americano de destaque que diz ser “católico”].
Duvidamos que praticamente exista alguém que esteja lendo este artigo que considere John Kerry como católico [visto que ele é a favor do aborto, etc.]. Até mesmo os membros da Universidade Franciscana admitem que: “Não se pode ser católico e ser pró-aborto,” como declaravam seus letreiros no protesto feito quando ele deu seu discurso em Ohio. Mas John Kerry disse que aceita a doutrina católica, apesar de votar sistematicamente a favor do aborto.
Durante o debate presidencial de 2004 com George W. Bush, John Kerry declarou: “Não posso impor o meu artigo de fé a outra pessoa.” Percebeu o que ele disse? John Kerry declarou publicamente que o ensinamento da Igreja contra o aborto é o seu artigo de fé, mas que simplesmente não pode aplicá-lo ou impô-lo na esfera pública. O seu argumento é um absurdo, uma mentira, e uma contradição obviamente; assim como o são todas as heresias. Mas segundo Chris Ferrara, John Kerry deve ser considerado como católico, já que algo que:
“... se contradiz a si próprio por parecer ao mesmo tempo que defende e que nega o ensinamento tradicional dificilmente pode dizer-se que constitui uma contradição manifesta à doutrina tradicional…”22
Podemos ver que esta afirmação é um completo disparate. Se fosse verdadeira, então dificilmente poderia dizer-se que John Kerry é um herege manifesto por afirmar publicamente que o ensinamento da Igreja contra o aborto é o seu artigo de fé e a logo o contradizer por apoiar tacitamente o aborto. John Kerry deve ser considerado como um católico segundo a depravada perversão da doutrina católica, inspirada por Satanás, que o herege Chris Ferrara está a vender nas publicações “tradicionais.” Esta conclusão também poria Ferrara em desacordo com outro de seus colegas e bom amigo, Michael Matt, que declarou de maneira inequívoca (por sua própria autoridade, já que isto não foi declarado pelo seu “papa”) que John Kerry é um apóstata.
Michael Matt, The Remnant, 15 de Abril de 2004, pág. 5: “Tomem como exemplo o senador John F. Kerry, o primeiro católico nomeado para a presidência por um dos partidos principais desde 1960. Kerry, cujos avós paternos eram judeus, tem feito nestes dias uma boa personificação de Kennedy: ‘Neste país temos uma separação entre Igreja e Estado,’ disse Kerry recentemente à revista Time. ‘Como o disse muito claramente John Kennedy, eu serei um presidente que por acaso é católico, mas não um presidente católico.’ Pelo menos nisso podemos estar de acordo com o cavalheiro de Massachusetts! De facto, ainda vamos mais longe ao indicar que o candidato à presidência Kerry não é de forma alguma católico.
“Oh, claro, o ex-menino do coro disse que é católico; ele aparentemente se queixa quando a sua equipa não lhe disponibiliza tempo suficiente no seu horário para ir à missa dominical; seu sítio oficial da Internet anuncia que ‘John Kerry foi criado na fé católica e permanece um membro activo da Igreja Católica.’ Mas ele não é católico nem tampouco a sua esposa – outra anti-católica que afirma ser uma fiel praticante. A descrição que dá John Kerry de si mesmo e de sua esposa é simplesmente falsa: ‘[Eu sou um] católico crente e praticante, casado com outra católica crente e praticante.’ Até soa bem. O problema é que John Kerry é um apóstata.”23
Parece que Ferrara e Matt têm que pôr a conversa em dia. E sem dúvida que o caso de John Kerry prova o ponto em questão, já que, se não se pode dizer que Bento XVI ― que tomou parte activa em culto judeu, que não crê que Jesus Cristo é necessariamente o Messias e o Filho de Deus, que ensina que não devemos converter os protestantes, que foi iniciado no islão, etc. ― deve ser considerado um herege, então você também não tem base nenhuma para afirmar que John Kerry o seja. De facto, os dogmas que Bento XVI nega foram definidos mais vezes que o dogma que Kerry nega.
» Ir para a página principal das objecçõesNotas finais:
1 Chris Ferrara, Catholic Family News, “Opposing the Sedevacantist Enterprise, Part II,” Out. 2005, pág. 8.
2 Denzinger 461.
3 Bento XVI, The Meaning of Christian Brotherhood, pp. 87-88
4 Bento XVI, Theological Highlights of Vatican II, New York: Paulist Press, 1966, pp. 61, 68.
5 Bento XVI, Principles of Catholic Theology (1982), pp. 197-198.
6 “Cardeal” Joseph Ratzinger, God and the World, Ignatius Press, 2000, pág. 209.
7 “Cardeal” Ratzinger, Principles of Catholic Theology, pág. 377.
8 “Cardeal” Ratzinger, Principles of Catholic Theology, pág. 202.
9 The Encyclicals of John Paul II, pág. 965.
10 “Cardeal” Joseph Ratzinger, Principles of Catholic Theology, pág. 381.
11 “Cardeal” Joseph Ratzinger, Co-Workers of the Truth, Ignatius Press, 1990, pág. 217.
12 “Cardeal” Joseph Ratzinger, Co-Workers of the Truth, pág. 29.
13 “Cardeal” Joseph Ratzinger, Introdução ao Cristianismo, Princípia Editora, 2005pág. 255.
14 O povo judeu e as Sagradas Escrituras na Bíblia cristã, secção II, A, com prefácio de Bento XVI, www.vatican.va
15 Chris Ferrara, The Remnant, Forest Lake, MN, 30 de Setembro de 2005, pág. 18.
16 The Papal Encyclicals, vol. 3 (1903-1939), pág. 294.
17 Abad Ricciotti, The Age of Martyrs, Tan Books, pág. 275; ver também Pe. Laux, Church History, Tan Books, 1989, pág. 113; Warren H. Carroll, A History of Christendom, vol. 2 (The Building of Christendom), pág. 18.
18 Chris Ferrara, “Opposing the Sedevacantist Enterprise, Part II”, Catholic Family News, Outubro de 2005, pág. 25.
19 The Papal Encyclicals, vol. 1 (1740-1878), pág. 451.
20 The Papal Encyclicals, vol. 1 (1740-1878), pp. 451-452.
21 The Papal Encyclicals, vol. 1 (1740-1878), pág. 414.
22 Chris Ferrara, Catholic Family News, Outubro de 2005, pág. 25.
23 Michael Matt, The Remnant, 15 de Abril de 2004, pág. 5.
Do livro: A Verdade sobre o que Realmente Aconteceu à Igreja Católica depois do Vaticano II
Francisco é uma abominação anti-Católica. Quem ainda não acordou, que acorde antes que seja tarde
Lucas G. 2 anosLer mais...É Verdade!!! Mosteiro da Sagrada família: Se aprendir bem com o Ir Pedro Dimond e Ir Miguel Dimond os quais concidero como Pais Espirituais,; um DOGMA é pra ser Obedecido...
Hernandes Moreira da Silva 2 anosLer mais...Obrigado por dizerem a verdade dos fatos.
Lucas Fernandes da Silva 2 anosLer mais...Sedevacantes tem razão
lp 2 anosLer mais...Este livro é um dos livros mais importantes do nosso tempo. Deus vos abençoe!
Gabriel 2 anosLer mais...Esta, sem dúvida alguma, é uma citação importantíssima. Ela demonstra que vossa posição sobre este ponto é exatamente a mesma de um Doutor da Igreja. Deus vos abençoe!
Gabriel 2 anosLer mais...Uau!
Adilio 2 anosLer mais...Abominação, cisma e Eresia. o que se poderia esperar de um demônio!!!
Hernandes Moreira da Silva 2 anosLer mais...Obrigada muito pela explicação detalhada! ;)
Vicky Timotê 3 anosLer mais...Salve Maria! É evidente que este diário é uma farsa. Essa freira foi excomungada 3 vezes, tendo seu manuscrito inserido ao livro do Indexx. O antipapa Paulo VI extinguiu o...
Deise Holanda 3 anosLer mais...